De volta ao mercado

13/0211:09hrs

O relacionamento acabou? Saiba como retomar a vida de solteiro

Vladimir Maluf

Depois que um namoro ou casamento acaba, é comum ficar perdido. Parece que você desaprendeu a paquerar, não sabe para onde ir e tem bem menos contato com os seus amigos de bar, os solteiros velhos de guerra, de tantas noitadas… E isso é o de menos. Pior é habituar-se novamente a estar sozinho, sempre.

Se você está de novo disponível no mercado, acompanhe essas dicas para se adaptar ao seu novo estilo de vida. “É hora de sair do comodismo de uma relação estável e ir à luta”, diz a psicóloga Maura Albanesi. O escritor André Marques aconselha a sair muito e conhecer gente nova. “Jogue no armário seu videogame de última geração e vá para a rua aproveitar essa nova fase”.

Paquere de novo

“É como andar de bicicleta”, define a psicóloga. “Você sobe nela de novo, se desequilibra no começo, mas depois sai pedalando”. Segundo ela, quem era bom de cantada antes, com certeza, não terá dificuldade para estabelecer novas relações.

O conselho de André Marques, autor do livro “Não existe mulher difícil”, é deixar a timidez de lado. “Não tenha medo de tomar um fora ou falar besteira. No começo é assim mesmo, até se readaptar. Nessa fase, você tem todo o direito de errar. E pode até encontrar pessoas que estão no mesmo momento que o seu”, tranquiliza.

“É preciso renovar as roupas, urgentemente”, avisa André. “Depois de namorar muito tempo, o homem ficou mais relaxado, mas, principalmente, é importante para renovar o astral, se atualizar, se sentir mais moderno”, diz ele. “Não acho que seria muito atraente para alguma mulher conhecer um cara que ganhou de Natal uma blusa de lã marrom, tricotada pela ex-sogra, não acha?”

André lembra que, em primeiro lugar, você deve preparar o bolso. “A vida de solteiro é muito mais cara do que a vida a dois. A começar pelo novo guarda-roupa, novas baladas, novas conquistas, viagens”, exemplifica ele. “Além disso, você vai precisar de algumas boas garrafas de vinho em casa, para estar sempre preparado para a visita inesperada de alguma mulher”.

Falar da ex ou não?

Ao conhecer uma mulher nova, pense bem como falar do seu antigo namoro. “Se for esperto, pode usar isso a seu favor. Se perceber que é uma mulher que é mais caseira, pode dizer que terminou recentemente, que prefere namorar e fazer aquele tipo ‘bom moço’”. Mas se encontrar alguém que só quer se divertir, nem toque no assunto, “para não parecer que está carente”, ensina André.

Quando se está amarrado, os passeios são outros, mais sossegados, e a turma também muda. A maioria dos amigos são casais e, normalmente, os mesmos para ambos. “Para os amigos também é uma situação difícil, pois eles ficam divididos. No começo, procuram marcar encontros com os dois, alternadamente. Mas acabam escolhendo um deles para ser mais próximo”. Por isso, prepare-se para fazer novas amizades. Você vai precisar.

“Saia muito, mas muito mesmo… todos os dias que sua saúde e conta bancária permitirem. E reaprenda a beber, afinal, não se faz amigos bebendo leite”, brinca André. “Em um piscar de olhos você estará cheio de novos amigos e, nesse pacote, pode apostar que sempre tem alguma solteira sobrando”. “O maior erro é não ter amigos separados. É preciso ter uma vida independente do outro”, alerta a psicóloga.

E se você encontrar com a ex?

Lembre-se que você não é o único novo solteiro dessa história. Ela também estará à procura de distração, novos amores e é possível encontrá-la por aí. Maura aconselha evitar esse tipo de reencontro. “Principalmente se estiver acompanhado de outra pessoa. Respeite o período de luto”, defende.

Claro que você pode até estar apaixonado novamente, mas não precisa impor isso tão cedo. “Dê um tempo antes de aparecer com outra mulher na frente dos amigos. Até eles precisam se acostumar que o antigo casal não está mais junto, para não passar por situações embaraçosas”.

Caso o encontro seja casual ou inevitável, André dá algumas dicas. “Se o fim foi de forma tensa, o melhor é passar direto. Vá mapear o lugar para ver quais são as melhores opções da noite e esquecer que a ‘falecida’ está por lá também. Se terminou bem, há a possibilidade de serem amigos. Ela pode, inclusive, ter alguém para lhe apresentar”. Mas, claro, isso só em finais muito (muito!) felizes. Segundo André, família da ex, nem pensar! “Não existe ex-sogra ou ex-cunhado. Fuja do passado, conheça gente nova e parta para a vida.

Abandone as neuras

Depois de tanto tempo sempre acompanhado, bate a solidão. “É a pior parte do fim de um relacionamento. O casal criou uma unidade. Era uma terceira personalidade. Quando ela se separa, ela se perde”, afirma Maura. Por outro lado, isso é normal acontecer, e o melhor é buscar novos objetivos, novos amigos e distração.

Outra lição da psicóloga é evitar ficar se amaldiçoando pelo fim do namoro, remoendo brigas ou achar que foi perda de tempo ter namorado tantos anos. “Temos essa mania de achar que perdemos tempo, já que o relacionamento não durou para sempre. Mas isso é uma bobagem”, segundo ela. “Não é porque acabou que não foi bom. Tente se lembrar do quando aproveitou esses anos todos, que foi feliz…”.

Há quem não consiga se ver sozinho e engate um relacionamento no outro, sem um intervalo. “É bom ficar solteiro um tempo para se reavaliar, ou vai cometer os mesmos erros da relação anterior”, aconselha a psicóloga. “É comum procurar uma próxima pessoa para esquecer a anterior. Cuidado! Essa pode não ser a solução. É mais saudável se habituar a não ter alguém, aprender a ficar sozinho, antes de ter um novo compromisso”, complementa ela.

André Marques concorda. “Não fique desesperado, carente, querendo substituir a ex muito rápido. Dê tempo ao tempo e conheça mais sobre o que as mulheres pensam, como agem, o que esperam e, principalmente, o que você tem para oferecer – e que seja melhor do que a concorrência”, ensina.

Começar a sair novamente é a única maneira de saber o que é uma boa opção e o que não é. “Depende do seu estilo e dos novos amigos. Gente bonita e interessante tem em todo lugar, de casa noturna a rodeio. O ideal é não ter preconceitos. Conhecer pessoas e lugares novos é o que importa”, diz André que dá um exemplo: “Vai que você sempre odiou comida japonesa e, de repente, acaba conhecendo uma mestiça linda em um desses”.