Brasil atinge maior taxa de divórcio desde 1984, diz IBGE

SÃO PAULO – O Brasil atingiu, neste ano, a maior taxa de divórcio desde 1984, ano em que foi instituído. Em 2007, para cada quatro casamentos civis realizados foi registrada uma separação, atingindo a taxa de 1,49 divórcio por cada mil habitantes, segundo revela a pesquisa “Estatísticas do Registro Civil”, divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira. As causas apontadas pelos técnicos do instituto para estes números são a desburocratização dos procedimentos para a separação e uma mudança no comportamento da sociedade.

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A pesquisa retrata, também, como são estas separações. A maioria (70,9%) delas aconteceu sem a separação judicial, apenas em forma de “divórcios diretos” – esta forma reduz trâmites judiciais  e o tempo de solução dos casos, segundo o IBGE.

Em relação à sua natureza, as separações consensuais continuam predominando (75,9%), apesar de terem caído 5,9 pontos percentuais desde 1997. A porcentagem não-consensual (24,1%) foi motivada, em grande parte, pelo que o IBGE define como “conduta desonrosa ou grave violação do casamento”. A pesquisa destaca que, dos casos em que o casamento terminou deste jeito, as queixas foram registradas, em sua maioria, por mulheres.

Após o divórcio, a guarda dos filhos ficou predominantemente (89,1%) com as mulheres. Segundo o IBGE, este número explica, em parte, o porquê dos homens divorciados casarem mais com mulheres solteiras, e não divorciadas.

Apesar de todas as estatísticas que apontam para separações, o número de casamentos aumentou no Brasil. Foram registrados 2,9% a mais de uniões em 2007, em relação a 2006. A tendência é observada desde 2003 e, de acordo com o instituto de pesquisas, retrata o aumento do número de casais que procura formalizar a união, incentivados pelo novo Código Civil, a o resultado de ações como a oferta de casamentos coletivos.

A pesquisa divulgada pelo IBGE registrou, também, a idade média dos homens e mulheres ao se casar. Em 2007, os homens casaram pela primeira vez, em média, com 29 anos. Já as mulheres, tiveram sua primeira união aos 26. E a maioria das pessoas que casou era solteira.

A taxa de nupcialidade legal também foi recorde. Ela atingiu, no ano passado, o valor de 6,7 casamentos por mil habitantes, a maior taxa da série e equivalente a 1999. Ainda segundo a pesquisa, as taxas de nupcialidade legal de indivíduos de 60 anos ou mais de idade revelam significativa diferença por sexo. Entre as mulheres de 60 a 64 anos, a taxa foi de 1,5 por mil. Para os homens do mesmo grupo etário, a taxa foi de 3,6 por mil.