Um Tigre por Dentro!

 

Você consegue ser bondoso com alguém que o magoou? Pode realmente amar alguém que o prejudicou?

Não é fácil. A única forma de romper com a corrente de violência não é dar o troco como disse Jesus.

Olho por olho, dente por dente é a receita do desastre, porque a violência não pode ser curada com mais violência. Alguém tem de tomar a decisão consciente de romper o círculo vicioso, engolir o orgulho e passar por alto a ofensa. E Jesus pede a seus seguidores que sejam esse alguém.

A agressividade passiva, como o silêncio, o virar as costas para alguém ou a demonstração de mau humor, não é menos nocivo do que gritar. Não importa que forma assuma o comportamento descortês e maldoso só gerará mais reação do mesmo tipo.

A única forma de obter o controle. Quando reagimos à maldade com raiva, ódio e desejo de vingança, entregamos o controle sobre nós para outra pessoa. Deixamos que ele aperte os botões e determine nossos sentimentos, atitudes e reações. Deus deseja livra-nos dessa tirania e devolver nossa autonomia junto com a paz mental.

Ate tomarmos a difícil decisão de fazer isso na prática, estaremos apenas reagindo, e não agindo. Um comportamento reativo (em oposição ao ativo) nos coloca sob o domínio de pessoas cruéis e insensíveis que tem sido indelicadas conosco.

Na maioria dos casos, o comportamento reativo é uma arma na luta pelo poder e o controle de outra pessoa. Ao ser mau com você, ou evitá-lo e não amá-lo, vou puni-lo por algo de que não gostei e forçá-lo a se comportar do jeito que eu quero.

Porém o comportamento ativo ou positivo que estabelece limites nada tem a ver com o ódio e vingança, e muito menos com a dominação. É uma tentativa não de controlar, mas de estabelecer o autocontrole. E é uma declaração não de independência, mas de autonomia. Independência significa voltar as costas à outra pessoa, e pode ser um comportamento reativo. A autonomia reconhece o valor da interdependência. Não rejeita um relacionamento no qual possamos ajudar e voluntariamente servir um ao outro, mas exige respeito para com o direito dado por Deus de governarmos nossa própria vida.

Amar realmente nossos inimigos e fazer o bem aos que nos maltratam é mais forte e nobre expressão de comportamento positivo. Isso nos coloca numa posição de poder, porque significa que nos recusamos a participar do jogo da ira e a descer ao seu nível. Em vez de sermos vencidos, nós vencemos.

Se retribuirmos a raiva com raiva, maldade, com malvadeza, a decisão de fazê-lo é nossa, porque temos o poder de escolha.

Gostamos de justificar o comportamento reativo culpando alguém. Parece que nos sentimos melhor se pudermos atribuir a culpa aos outros. “Estou agindo dessa forma por causa do individuo na sala ao lado”. “Fico chateada com facilidade porque sou igual a minha vó (foi dela que herdei esse terrível gênio)”. Ou seja, o que for.

Não escolhemos nossos pais nem a forma como eles nos criaram. E na maioria dos casos, tampouco escolhemos os colegas. As circunstâncias da vida nos colocam junto a pessoas e precisamos conviver com elas. Ao indicar que somos responsáveis por nossas reações Deus deseja que paremos de tentar justificar nosso mau comportamento apontando para o de outra pessoa.

 

“O amor é paciente, é benigno;

O amor não arde em ciúmes,

Não se ufana, não se ensoberbece,

Não se conduz inconvenientemente,

Não procura os seus interesses,

Não se exaspera, não se ressente do mal;

Não se alegra com a injustiça,

Mas regozija-se com a verdade;

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.

 

(I Corintios 13:4-7)