A FUNÇÃO SOCIAL DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

 

 

NÚBIA CRISTINA FERREIRA BANDEIRA*

 

 

É bem provável que nunca tenhamos nos perguntado sobre a influência dos meios de comunicação em nosso espaço geográfico. Na verdade, a mídia é um mundo de descoberta, informação,  persuasão, etc. O que assistir? Como colaborar para que nossas crianças não sejam sugadas pelos veículos da mídia? Diante do acima exposto, este artigo visa colaborar para esclarecer algumas destas indagações.

 

Palavras Chave: Influência, Meios de Comunicação, Espaço Geográfico.

 

A função social dos meios de comunicação é evidenciada em qualquer tempo, em qualquer momento por qualquer veículo vinculado a mídia. Estamos num mundo pós-moderno onde as informações são necessárias para o progresso da sociedade. O que seríamos sem tais subsídios?

Estes mesmos veículos de comunicação são as entradas para o mundo, pois através dele compramos, pagamos, trocamos e nos comunicamos. “Podemos e, devemos, utilizar todos os meios de comunicação que estão a nossa disposição, mas acima de tudo, precisamos ter a preocupação com a qualidade do que nos é transmitido. O fundamental é conseguir diferenciar o que eles têm de bom e do que possuem de ruim.”  

A comunicação é um campo de saberes e técnicas preocupadas com as manifestações coletivas e individuais, as instituições, e as relações de poder, os efeitos dos meios tecnológicos de comunicação massivos. Com o uso habitual de expressões  tais como fluxo de informações dinâmicas social, trocas simbólicas, etc, que se tornam comuns aos fenômenos comunicacionais.

O espaço geográfico do qual faço parte, sempre foi marcado por muita informação, leitura e curiosidade. Fui criada no mundo dos livros, da imaginação, dos desenhos animados, programas da TVE, etc. Hoje, depois de alguns anos, pouca coisa mudou, na casa na qual resido com minha família, composta por 05 pessoas, ainda ouvimos rádio, assistimos TV, lemos revistas, jornais… Posso dizer que sou uma jovem de sorte por fazer parte deste mundo midiático, até mesmo no meu trabalho tenho contato direto com a internet e quanto mais pesquiso mais me sinto envolvida. O que posso afirmar é que, observo muita coisa positiva e outras negativas. Algumas realmente influenciam-me, outras não.

Acadêmica do curso de Pedagogia da Universidade do Estado de Santa Catarina, sob orientação da tutora Célia Regina da Disciplina Metodologia na Geografia.

 

INFLUÊNCIAS DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOBRE A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO

 

Um novo marco na história das comunicações estabeleceu-se com a invenção do rádio. Este tinha possibilidades de alcance muito maior e chegava mais rapidamente que qualquer outra mídia, principalmente no Brasil, cujo público letrado era bastante reduzido. O rádio, explorando a oralidade e a idéia da transmissão ao vivo, adentrou facilmente nos lares brasileiros. Como sua forma de transmissão e recepção necessitava apenas de uma estação emissora e aparelhos de recebimento, a mensagem podia chegar facilmente às pessoas, inicialmente em suas casas e, logo mais, com o surgimento de aparelhos portáteis, a qualquer parte a que esse aparelho fosse levado. .

A partir da década de 70, popularizou-se a televisão, não só a palavra em forma de som poderia viajar pelo espaço, também a imagem em movimento a fazê-lo. É uma forma de comunicação em que a oralidade passa a dividir espaço com a comunicação da imagem, do símbolo, do movimento. A informação, além de ser falada, pode ser lida, vista, interpretada pelo receptor. A visão, sentido tão privilegiado nessa cultura, passa a ser o centro de explorações. Para o telespectador, assistir ao noticiário na televisão possui outra significação, há uma relação visual com quem transmite a informação, não é mais uma voz anônima ou um texto de alguém que não se pode imaginar quem seja.

Com a evolução dos meios de comunicação mediáticos, no final do século XX, ocorre o agrupamento de todas as tecnologias anteriores. Surge uma tecnologia mais eficaz, que oferece todas as possibilidades já exploradas na imprensa, no rádio, na televisão, operando uma ultrapassagem: a possibilidade de interação e a velocidade com que tudo ocorre. O indivíduo não fica somente no papel de receptor passivo, há a possibilidade de escolha, há decisões a serem tomadas. O volume de informações emitidas é maior, bem como a rapidez com que chegam aos lares, oportunizando-se situações que as tecnologias anteriores não possibilitavam.

No meu ambiente, observo que os jovens, as crianças e até mesmo as donas de casa querem a qualquer custo fazer parte desse mundo aparente das belas propagandas, mesmo que para isso venham a pagar muito caro, isso não é nada bom. É comum observar pelas ruas do bairro em que moro, as crianças durante o dia assistindo desenhos animados e propagandas infantis das quais exigem aos pais o que querem, as famílias por sua vez ao anoitecer, sentam-se e assistem todas as novelas. Essas influências acabam desgastando tanto as pessoas de modo a torná-las escravas e totalmente dependentes. A própria televisão nos envolve de tal forma, a nos confundir com certos personagens, alguns chegam ao ponto de querer usar todos os acessórios da “pessoa notável”, em outros casos, vão além disso. Outro fator interessante da mídia, é a persuasão que esta tem sobre a veracidade dos fatos e nesse aspecto, é importante atentarmos para o fato de que a realidade é sempre mostrada de acordo com o ponto de vista de quem faz a notícia. Assim, geralmente o que vemos é apenas uma parte da realidade. É essencial buscarmos a verdade, antes de tirarmos conclusões precipitadas. Utilizam-se ainda, das pesquisas, pois precisam do público para sustentarem suas estratégias, fazem com que estas sejam não só um fator de planejamento estratégico, como também um meio para conseguir um número maior de consumidores. Um resultado de pesquisa nem sempre é resultado da realização de uma pesquisa, pois pode-se muito bem se utilizar da manipulação de dados, e verdades também, como estratégia de marketing. Manipulam as pesquisas para sustentar um produto, ou interferem num produto para sustentar um público. Nas duas vias se utilizam da mesma noção de qualidade: se é consumido por todo mundo, o produto é bom! Nas duas visões o produto e o público são tratados como objeto. 

Em nosso país, segundo dados do Grupo de Mídia de São Paulo, (2000), a TV e o rádio são as maiores e únicas fontes de informação para a maioria dos brasileiros: sendo que, a TV está presente em 87,7% dos domicílios, 88% dos brasileiros ouvem rádio todos os dias, 39% não lêem revistas ou só têm acesso menos de uma vez por trimestre, 48% não lêem jornal ou só têm acesso menos de uma vez por semana, 81% da população assiste à TV todos os dias, 3,5% horas é a média diária de tempo que o brasileiro passa vendo TV. Quanto a audiência a CNT, 1%; Rede TV, 2%; Band, 4%; Record, 8%; SBT,23%; Globo, 54%; outras,8%. A Rede Globo aglutina o maior número de veículos em todas as modalidades – TV, rádio e jornal. Tem quase o dobro do que possui o SBT,que ocupa o 2º lugar.

Esta é uma realidade da sociedade brasileira que visa esta informada e a rapidez dos meios de comunicação, sem dúvida, tem sido fantástica quanto a esse aspecto. Porém, há o outro lado que se concentra na utilidade dos produtos da comunicação. Faz-se necessário estar com atenção voltada para o produto, a mensagem que se veicula e também ao público. Perceber, por um lado, como o público entende as mensagens e por outro, com que objetivo os emissores elaboram mensagens e produtos, visando produzir melhores produtos ou melhores entendimentos.

Diante do acima exposto, qual o papel da escola diante da massificação da mídia junto aos seus alunos? A escola tem um papel fundamental, segundo José Manuel Moram, "A escola precisa repensar urgentemente a sua relação com os Meios de Comunicação, deixando de ignorá-los ou considerá-los inimigos. A escola também não pode pensar em imitá-los, porque nos Meios predomina a função lúdica, de entretenimento, não a de organização da compreensão do mundo e das atitudes."

A escola pode e precisa estabelecer pontes com os Meios de Comunicação. Pode utilizá-los como motivação do conteúdo de ensino, como ponto de partida mais dinâmico e interessante diante de um novo assunto a ser estudado. Podem os Meios apresentar o próprio conteúdo de ensino bem como ser, eles próprios, objeto de análise, de conhecimento. Os Meios de Comunicação – o jornal, o rádio, a televisão, o cinema – podem ser utilizados como ponto de partida de um novo assunto, como pesquisa para debates,como motivação, como estimulo.Os Meios podem ser utilizados também como conteúdo de ensino, como informação, como forma de passar conteúdos organizados, claros e seqüenciados, principalmente o vídeo instrucional, educativo o qual é útil para o professor, porque lhe dá a chance de completar as informações, de reforçar os dados passados pelo vídeo. Eles não eliminam o papel do professor; ao contrário, ajudam-no a desenvolver sua tarefa principal, que é a de obter uma visão de conjunto, educar para uma visão mais crítica. "A escola precisa, enfim, no seu Projeto Educativo, considerar a questão dos Meios de Comunicação e da comunicação como parte integrante – e não marginal – do processo educativo integral do novo aluno-cidadão, visando construir uma sociedade realmente democrática."

 

Considerações Finais

Segundo subsídios do que fora exposto, concluo que, a função social dos meios de comunicação e a organização do espaço geográfico, estão constantemente interligados, a prova maior disso, são as modificações que fazemos em nosso espaço, quer seja em nossas casas, nosso guarda-roupa, nas nossas prateleiras, incluímos ou excluímos as coisas de nossas vidas conforme a influência dessas mídias e isso é uma realidade, não há como modificá-la.

Através da mídia aprendemos também a nos situar em qualquer lugar do planeta, seja ela bonito ou pobre, perigoso ou tranqüilo.

De certo, os meios de comunicação são essenciais em nossas vidas e está em nossas mãos aproveitá-los da melhor maneira possível, a escolha é somente nossa.

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

MORAN, José Manuel, MASETTO, Marcos e BEHRENS, Marilda. 7ª ed., Campinas, Papirus, 2003.

 

MACHADO, Arlindo. A arte do vídeo. São Paulo, Brasiliense, 1988.

http://www.crmariocovas.sp.gov.br/com

 

http://www.escola2000.org.br/pesquise/texto/textos_art.asp