Mãe de gravata
Eles não se contentam mais em ser coadjuvantes e querem participar de todos os acontecimentos da vida do filho. Conheça um pouco do perfil do super-pai!

Por Andréia Meneguete

Os pais de hoje estão longe de serem aquelas figuras distantes no que se refere à dedicação ao filho. Querendo atuar de forma direta e intensa na rotina dos filhos, eles se desdobram com os horários e fazem questão de participar desde o primeiro ultra-som até às reuniões escolares. As mudanças devem-se à evolução da sociedade após a década de 60 com a entrada intensa da mulher no mercado de trabalho. A partir da divisão das tarefas e responsabilidades domésticas, os homens começaram a entender na teoria e prática a importância de estar presente na família, o que inclui o envolvimento na educação do filho.

Estudos americanos apontam que crianças criadas com a ausência do pai têm desempenho ruim na escola, além de apresentarem queda na auto-estima e alguns episódios depressivos durante a vida. O bom resultado que a presença e atuação do pai proporcionam não vem só para o pimpolho, mas também para as mães, que se sentem fragilizadas e inseguras diante da maternidade. "A importância do homem na família é muito ampla. Oferece uma vivência saudável, além da tranqüilidade e amadurecimento da criança. As mães ficam muito mais seguras tendo o pai do filho por perto", explica o pediatra da Unimed Paulistana José Rodrigues Coelho Neto.

Na pele de pai

Foto: Arquivo familiar
Bruno e a pequena Isis, com um mês

O jornalista Bruno Loturco é daqueles que compõem o time dos pais exemplos e corujas. Papai de primeira viagem, ele faz questão de participar de todos os acontecimentos da pequena Isis, de apenas um mês. "Deixei de comparecer somente a uma consulta do pré-natal, estive ao lado da minha esposa em todos os momentos da gravidez. Acho importante a presença da figura paterna no desenvolvimento moral e físico do filho", afirma.
E não pense que é só na boa hora do passeio ou das risadas que eles aparecem. Eles também trocam fraldas e levam os filhos ao médico. "Na verdade, o homem só se sente pai quando o filho nasce, quando ele pode ter a criança em seus braços. A mulher sente o filho durante toda a gravidez, o homem só acompanha", sinaliza Fabiano Banin, papai da Mariana, de 20 dias.

Importância e representatividade
A psicóloga e autora do livro Guia Prático dos Pais, Suzy Camacho, vai além ao que se refere ao papel do pai na educação e desenvolvimento de um filho. Segundo a especialista, a criança estabelece desde cedo a relação que a figura masculina representa, como os limites, lei, autoridade e segurança. É muito comum que os filhos vejam nas mães o lado mais sensível, um colo que eles sempre podem recorrer quando estão aflitos. "Já com o pai, eles aprendem a ter força e vencer alguns medos e obstáculos que são normais na infância", acrescenta.
Entretanto, embora os pais de hoje estejam mais engajados na função, a educação e atenção dada à criança deve ser integralizada e equilibrada. O filho precisa da presença e atuação dos dois, sempre!

Corrida contra o tempo
É comum ver que muitos pais desejam participar da vida dos filhos, mas a carga de trabalho não permite a proximidade e o contato constante entre ambos. Mas, nem tudo está perdido! Segundo a psicopedagoga Ana Cássia Maturano, é possível administrar o pouco tempo e aproveitar de forma qualitativa as noites e fins de semana com a criança. "Os pais devem estar sempre atentos aos gostos e hábitos dos filhos, assim fica mais fácil fazer a programação de lazer ideal", indica. É normal que os pais se desequilibrem emocionalmente com a chegada de um bebê, por isso eles devem se adaptar à nova fase da melhor forma. "Jantar com o filho e ligar várias vezes ao dia são opções para aqueles que passam o dia inteiro fora", sugere a profissional.

Como participar da vida do filho mesmo com pouco tempo:

  • chegar sempre a tempo do jantar para que seja possível um contato com toda a família. Isso ajuda a criança a ter idéia de família.
  • ligue durante o dia para saber o que a criança comeu, brincou e assistiu na televisão. Ela não terá a sensação de que foi esquecida.
  • se possível, tente ao menos uma vez no mês levá-la ou pegá-la na escola.
  • deixe bilhetinhos ou desenhos amorosos espalhados no quarto do pequeno ou no caderno. Ele perceberá o quanto é querido.
  • se for necessário, chame a atenção da criança caso ela se comporte de maneira indevida. Mesmo com pouco tempo juntos, ela precisa saber dos limites e regras.
  • nos fins de semana escolha os lugares que têm a ver com o perfil do seu filho. Mas evite ir a estabelecimentos em que vocês não ficarão juntos. Prefira parques, restaurantes, cinemas e hotéis fazendas.
  • presentes devem ser dados com moderação ou em datas específicas, como dias das crianças e Natal. Compensar a presença física com objetos pode ser prejudicial no futuro, a criança pode se tornar materialista.